Advocacia baiana marca presença na 2ª Marcha das Mulheres Negras e reafirma compromisso com reparação e bem viver
Participação da comitiva reforça o compromisso da OAB-BA com a ampliação da presença de mulheres negras nos espaços de decisão
A advocacia negra baiana participou, nesta terça-feira (25), da 2ª Marcha das Mulheres Negras, em Brasília, levando ao ato nacional as pautas do bem viver e da reparação, que orientaram a mobilização deste ano. Para as advogadas que integram a comitiva baiana, as duas agendas expressam o entendimento de quenão há Estado Democrático de Direito enquanto persistirem desigualdades raciais, ausência de mulheres negras nos espaços de poder e a continuidade do genocídio da população negra como política de Estado.
O ato ocorre dez anos após a histórica primeira edição, realizada em 2015, que reuniu cerca de 100 mil mulheres. Em 2025, a expectativa de público superou 400 mil participantes de todo o país, reafirmando o tema “Reparação e Bem Viver” como centro das reivindicações.
Segundo as participantes, bem viver representa dignidade plena: acesso à saúde, moradia, segurança, mobilidade, respeito às famílias e às comunidades negras — condições básicas para o exercício da cidadania. Já a reparação provoca o Congresso Nacional a avançar na aprovação do Fundo de Reparação, reconhecendo a dívida histórica do Brasil com a população negra, fundamental para a construção do país com seu trabalho, saberes, corpos e trajetórias.
A preparação para a Marcha mobilizou a OAB Bahia ao longo de todo o mês. Na última semana, a seccional instalou na sua sede, na Rua Portão da Piedade, uma faixa alusiva ao evento, além de outra peça em apoio à indicação de uma ministra negra ao Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa integra a programação do Novembro Negro e foi construída em diálogo com o Instituto Odara, articulada pela conselheira Maíra Vida e pela secretária-geral da OAB-BA, Cléia Costa, com apoio de diversas comissões temáticas.
Para a presidenta da OAB-BA, Daniela Borges, o gesto reafirma uma diretriz institucional: “Ao ocupar simbolicamente nossa fachada com essas mensagens, reforçamos nosso compromisso com a equidade racial e com a ampliação da presença de mulheres negras nos espaços de decisão.”
A secretária-geral Cléia Costa, que integrou a comitiva em Brasília, reforçou que a presença institucional na Marcha é expressão de compromisso concreto: “As advogadas negras baianas chegam à Marcha para afirmar que não há democracia possível enquanto persistirem desigualdade racial, ausência de mulheres negras no poder e violência sistemática contra nosso povo. Bem viver é dignidade plena; reparação é reconhecer e agir diante de uma dívida histórica que atravessa séculos.”
A conselheira Maíra Vida, que articulou a iniciativa junto ao Instituto Odara, destacou o papel transformador da presença da advocacia negra na Marcha: “A OAB Bahia tem buscado se tornar um instrumento de renovação e de rompimento de paradigmas, em que vozes e corpos políticos diversos convivam harmoniosamente. Isso fortalece nossas instituições democráticas, com o apoio do movimento da sociedade civil e do próprio sistema de justiça.”
Já a presidenta da Comissão de Promoção da Igualdade Racial, Camila Carneiro, ressaltou o significado histórico da mobilização promovida pela seccional: “Esse momento é um marco. Nosso compromisso com a justiça racial, com a democracia e com a reparação é inarredável. Estar na Marcha e hastear essas pautas na nossa sede reafirma que a OAB-BA está do lado certo da história.”
Crédito: Paulo Andrade/ OAB-BA