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Não faltam plantonistas nas delegacias

Leidiane Brandão e Nelson Rocha

Após reportagem publicada ontem por esta Tribuna, denunciando a falta de delegados plantonistas nas delegacias de Salvador durante o fim de semana, o delegado geral da Polícia Civil da Bahia, Hélio Jorge, disse que os efetivos de plantão durante os fins de semana podem variar a depender da necessidade.

Segundo ele, são de aproximadamente quatro profissionais de segurança, entre delegados e escrivão, em cada uma das 27 delegacias instaladas em Salvador e Região Metropolitana. "Um efetivo que pode variar conforme as necessidades registradas em cada unidade", disse o Delegado.

Ainda de acordo com ele, cerca de 300 homens estão à disposição da população nas unidades policiais da capital baiana a cada fim de semana. Apesar de disso, reconheceu que há caso em que a situação pode ser diferente. "Às vezes acontece de realmente não ter numa determinada unidade, em função de alguma licença médica, por exemplo. Mas ninguém fica sem atendimento", disse.

Apesar da reportagem que mostrou que em cinco das oito delegacias visitadas não havia delegado, o chefe da Polícia Civil baiana disse que uma equipe de quatro delegados e quatro escrivãos está sempre à disposição na unidade da Piedade para deslocamento.

Apesar de um movimento relativamente tranquilo, foi constatada a ausência de delegados, o que ocasionou atraso para o registro de algumas ocorrências policiais. Na 9ª Delegacia, na Boca do Rio, por exemplo, policiais admitiram que é comum a falta de delegado na unidade entre o período de sábado e domingo. "Só trabalham em horário administrativo", revelou um policial que preferiu manter-se no anonimato.

O presidente da Ordem dos Advogados da Bahia, Saul Quadros, disse que é necessário que o governo tome medidas para que esta situação não continue a ocorrer. "Se realmente este fato for verdadeiro, é lamentável. É preciso que o Governo do Estado, através da Secretaria de Segurança Pública, adote as providências necessárias para o provimento das delegacias da cidade, inclusive nomeando delegados já aprovados em concurso público há algum tempo", disse.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindipoc), Carlos Gomes Lima, declarou que a ausência de delegados nas delegacias é decorrente da falta de fiscalização e gerenciamento por parte das autoridades. Segundo ele, ano passado, representantes do sindicato se reuniram com o ex-delegado geral Joselito Bispo para discutir sobre a nomeação de novos delegados.

Ele disse ainda que a nova escala de trabalho dos policiais contribui muito para a falta de delegados e agentes nas delegacias. "Esse problema já vem acontecendo desde a gestão passada. O novo secretário tem que recrutar e nomear os delegados que estão prontos para trabalhar. Com isso, quem sofre é a população que precisa dos serviços e não consegue por falta de delegados e policiais nas delegacias. Isso é um absurdo", declarou.