Leia aqui os poemas do advogado Ourisvaldo Joviniano
Lágrimas Vertidas
Autor: Ourisvaldo Joviniano
Desce das faces, cascatinhas
Nascera dos olhos d''''''''água
O adeus não é prenúncio de saudade
Acenam os que ficam e quem está indo esperam em breve reencontrar-se
Prolongada ida e espera
Da calma a angústia
Foram e ficaram, por vidas
Vidas na espera, de vidas perdidas
Finalizada ida, sem adeus, sem vida
Infinitas vidas, em espera da ida...
Sem saber da vinda, apenas saudade...
Por tanto esperar,
Todas as lágrimas esvaídas...
No reencontrar sem vidas...
A palavra,
O verbo,
O verbo e a palavra...
Sem adeus, sem lágrimas
Sem energias, sem vidas...
Pavilhão Tremulante
Duas linhas definidas e infinitas...
Oblíquas
Verticais
Horizontais
Sempre paralelas no verde e amarelo
Das matas e florestas o verde
Triângulos unindo bases, losango amarelo
Amarelo ouro, riqueza e povo brasileiro
Círculo azul do céu e mar, cruzeiro do Sul
Faixa branca, em verde Ordem e Progresso
Acima estrela maior, um só governo
Tantas estrelas brancas da paz
Estados produtivos e administrativo dividido
Este país rico soberano e altivo
Embrasado, brasa e varonil, conciliador,
Não hostil, chamado Brasil...
Sete Pontos
Seis praças
Entre tantos pontos
Apenas um "ponto a caminho"
Pelô... Pelô... Pelourinho
Caminho das dores, angustiada busca
Estrada passagem, caminhar pela liberdade...
Escravizados "coisa", assim os sem piedade
Praça do Campo Grande
Continuado chorar chorar aos pés do "caboclo"
Afro-irmãos desassociados uns dos outros...
Praça da Piedade
Prevenção, sem dó, poder dos impiedosos
Traídos, esquartejados, pisados os nomes dos esquecidos...
"Alfaiates" costuraram vestes para os corpos despidos...
Praça Castro Alves
- Resistida "alada voz", poesia na rebeldia de dominador
- Baia de Todos os Santos, de "todos os prantos"...
- No alto, monumento dos gritos, autor e mitos...
- Afundara nau, navios, "navios negreiros" os porões vazios...
- Negros, afro-trazidos, povo estrangeiro, acorrentados: pés, mãos e coleiras, mercadorias em portos brasileiros
Praça de Governo, "Núcleo Maior"
- Fortificado solo, do governo, poder e capitania...
- Ponto mais alto, da visualizada Baia
- Parte baixa, bater das águas, arquipélago da Baia
- Dias do passado, nos porões do poder, como dos navios, "os condenados"
- Praça e palácio, legislativo atual, municipal
- Mecânico elevadiço, comunica o alto com baixo do mercado, sequenciando ao porto, corredor dos escravizados
Praça Corredor da Fé, "da Sé"
- Templos litúrgicos, que não ouviram doidos gritos...
- Enlarguecidos caminhos, demolidos templos
- Sítio cemitério, cemitério da Sé...
- Corpos insepultos, seus ossos do passado, sem cruzes...
- Vidas lembradas, cruzes inteiras e quebradas, em frente a "Baia das Lágrimas"
Terreiro de Jesus
- Igrejas e riquezas, ouro metal, nos altares das grandezas
- Fonte transbordante de água, lavam as faces de lágrimas
- Sobre a Baia de Todos os Santos, catedral, domicilia o símbolo maior da "romana fé", filho de Maria e José...
- Mãos calosas, corpos açoitados, força motriz dos "guindastes dos padres"...
Pelourinho caminho, largo não "praça"
- Talvez praça dos açoites ou açoitados...
- Na geografia da cidade, caminho sem parada, não praça...
- Templo do rosário dos pretos, sincretismo da fé...
- Oferenda ritual da paz, vestes brancas, "agogô" e atabaques dos seguidores de "gandhi" e som percussivo do "olodum"
- Aberta "senzala de barro branco", voz altiva, grita da paz, caminhar da afro-identidade, nos caminhos da liberdade, nas cabeças, auto-estima, tranças e turbantes, pescoço, "guias oxalares", vestes civis culturais, dançantes ritmos dos afoxés, percussivos musicais, "ilê aiyê" nos carnavais
Caminhos passagens: Pirajá, Liberdade ao Campo Grande
Suas paragens
Largo passagem, não fora promovido o local em "praça"
Não visualizado no largo "o tronco dos açoitados"...
Sacrificadas vidas, morão arrancado, correntes e argolas esquecidas, sem glórias na história...
Talvez "zumbi" a estátua, "o tronco a praça dos açoitados"
Estrada caminhada, pontos no caminho, independência consolidada, "liberdade sonhada"
(2 de julho 1823)